Miguel Morgado - Os números da economia portuguesa e as lições do passado

Quarta-feira, Abril 2, 2025 - 15:26
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Sapo
Vale a pena reconhecer que o fetiche absurdo do excedente orçamental reflecte um consenso nacional inédito em torno da necessidade de umas contas públicas equilibradas.

Na semana passada o INE publicou um conjunto de dados importantes sobre a economia portuguesa e que vão acabar por desempenhar um papel importante na campanha eleitoral em curso. Que os partidos do governo reivindiquem os louros de números positivos, mesmo que para eles pouco tenham contribuído, é banal na política democrática. Tal como é banal que os partidos da oposição imputem as responsabilidades ao governo por números maus, mesmo que tenham sido eles, e não o governo em funções, a contribuir para eles.

Convém, no entanto, não exagerar. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, recorrendo ao estafado truque de Mário Centeno, Fernando Medina e António Costa, já veio reivindicar para Portugal o primeiro lugar europeu no crescimento em cadeia no último trimestre de 2024. Sendo verdade que os números do último trimestre foram excelentes e resolvem uma parte significativa do problema do crescimento – e do saldo orçamental para 2025 – devido ao efeito de carry-over, é factualmente errado que Portugal tenha tido o melhor desempenho. Uma simples consulta do Eurostat dissipa as dúvidas: Irlanda e Dinamarca tiveram registos melhores. O truque político é irritante, mas pouco importa. No actual contexto de dificuldades das principais economias portuguesas, o desempenho português é aceitável (crescimento de 1,9% em 2024), a que se juntam os desempenhos das economias mediterrânicas cheias de PRR e turismo (Croácia: 3,8%; Espanha: 3,2%; Grécia: 2,3%; Itália: 0,5%; Eslovénia: 1,3%).

Artigo completo no Sapo de 1 de abril.