A análise da saúde mental dos decisores políticos pode ser a grande explicação para o secular estado da nação.
Polémica com cartazes e providências cautelares, a provável e impossível influência da região autónoma nos resultados eleitorais da República, as listas de deputados da AD, a mudança de nome da AD, a ética do primeiro-ministro no enredo da campanha, a recuperação dos heróis fundadores pelo Bloco, o excedente orçamental, as sondagens que começam a apontar uma tendência nos resultados, tudo provocações, tudo processos, tudo estabilizações. É o retrato da semana, é a democracia à volta de si mesma num exercício de diversão em círculo fechado.
A grande especulação democrática centra-se na ética do Primeiro-Ministro. Deve a campanha ser suja e explorar os recantos negros do carácter do Chefe do Executivo numa sequência infinita de casos e investigações que a imprensa livre explora com a liberdade inerente a uma democracia? Deve a campanha ser alegre e explorar o lado positivo da governação e da oposição no estabelecimento de um mercado eleitoral de ideias prontas para receber o voto e despachar o país para o progresso? No grande mercado da informação democrática o lado negro tem a preferência incontornável do escrutínio popular – perante os pecados dos políticos, cada português sente-se eticamente superior e nesse sentido a falta de ética de um político multiplica por mil a ética da nação inteira. Perguntem ao Chega, o partido da ética, se não é uma máxima democrática.
Artigo completo no ECO de 31 de Março.