No país sem ideologia, a avaliação das posições políticas no Parlamento e na rua obedecem ao mesmo critério – o volume máximo no som das palavras e o número máximo de manifestantes na rua.
Pode um país existir sem uma ideologia? Pode um Orçamento ser apenas um documento técnico sem métrica política ou visão de longo prazo? Em Portugal parece que sim. Os bombeiros sapadores invadem as escadarias do Parlamento sem oposição da polícia e afirmam que não entram na Assembleia da República porque não querem. Porque respeitam as instituições. Mas que instituições? No meio das palavras de ordem, pneus a arder, tochas a debitarem fumo vermelho em pleno Orçamento, os bombeiros estão de que lado? Do lado da República e do interesse geral ou do lado das corporações e dos interesses particulares? Parece que não importa, mas tem uma enorme importância. No país sem ideologia, a avaliação das posições políticas no Parlamento e na rua obedecem ao mesmo critério – o volume máximo no som das palavras e o número máximo de manifestantes na rua. As ideias são um departamento exótico com guichet no primeiro andar a contar vindo do céu. Está vazio e sem clientes. Devia ser o guichet da República.
Nota: pode ler este conteúdo na íntegra na edição online do ECO de 07 outubro 2024.