A pergunta mais decisiva para as eleições que se avizinham é esta: até que ponto os factos, a discussão e a propaganda em torno do primeiro-ministro influenciarão o sentido de voto dos portugueses? O problema é que não é fácil medir o sentimento dos portugueses relativamente ao que se passou nas últimas três semanas. Por um lado, suspeitas sobre a conduta do primeiro-ministro em assuntos que envolvem dinheiros seriam sempre dedos acusatórios que eleitoralmente se reflectiriam na queda do apoio ao partido do governo. Por outro lado, não é óbvio que suspeitas vagas e sem conteúdo criminal produzam grandes ondas de protesto – e, ao não fazê-lo, podem até gerar uma resposta de aversão pelos partidos de oposição que criaram a crise de desconfiança. E de uma desconfiança ainda pouco consubstanciada em delitos graves num contexto nacional em que as coisas lá iriam correndo toleravelmente, com a excepção de uma ou duas áreas de governação, sem grandes atribulações, e, num caso ou noutro, corrigindo calamidades do governo anterior, como na pasta da imigração. Há, portanto, uma indeterminação que só o tempo se encarregará de desfazer.
Miguel Morgado "O futuro do PPD"
Wednesday, March 19, 2025 - 12:12
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Sapo
Ainda complexado na afirmação de uma política não-esquerdista, apesar de o país lhe ter dado uma autorização explícita para isso, o PPD hesita. Mas é urgente mostrar que é o pilar central da estabilidade do sistema.
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