A Professora Doutora Ivone Moreira estará à conversa com António de Castro Caeiro acerca do livro Teoria dos Sentimentos Morais, cuja tradução inédita em português europeu foi recentemente publicada pela Fundação Gulbenkian.
Originalmente publicada em 1759, Teoria dos Sentimentos Morais é amplamente considerada, do ponto de vista filosófico, a obra-prima de Adam Smith. Este lançamento ganha agora uma relevância acrescida com a contribuição da Professora Ivone Moreira, que assina a tradução inédita em português europeu, bem como a introdução e as notas da obra, recentemente publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian.
Nesta obra, o filósofo e economista escocês cunha o termo «espectador imparcial» e defende que o nosso sentido do certo e errado não é ditado por regras rígidas, mas surge da nossa capacidade de nos colocarmos no lugar dos outros.
Editado pela primeira vez em português europeu, o livro integra agora a coleção de Textos Clássicos da Fundação Calouste Gulbenkian, juntando-se a outra das obras seminais de Adam Smith, A Riqueza das Nações (vols. I e II).
O ensaísta e professor de filosofia António de Castro Caeiro e a tradutora Ivone Moreira vão refletir sobre esta obra na Feira do Livro, numa conversa que terá a moderação de Guilherme d’Oliveira Martins.
Pode requisitar este livro através do Instituto de Estudos Políticos ou através da Biblioteca da UCP.
«O pensamento moral de Adam Smith (1723-1790) é profundamente devedor do pensamento estóico, mas também devedor de Hutcheson, que fora seu mestre e que trabalhara antes o conceito de Espectador Imparcial, embora sem a mesma exacta designação, e de David Hume, contemporâneo, conterrâneo e amigo de Adam Smith […].
O homem reconhece a sua humanidade no espelho que o outro é para si, e é nessa relação especular que ele pode aferir a medida adequada do seu comportamento e colocar-se no lugar do outro, ser espectador de si mesmo e poder assim exercer sobre si próprio a reflexão no sentido etimológico do termo: debruçar-se sobre si mesmo, fazer de si mesmo o objecto da sua observação, e ajustar a importância dos acontecimentos por ele vividos à importância que esses acontecimentos têm objectivamente, ou seja, quando considerados por outro não directamente envolvido […].
A admiração de Adam Smith pelos estóicos estende-se ao sentido profundamente transformador do humano, e compensador em si mesmo, do ser ético e moral. O homem aspira não apenas ao aplauso que a manifestação de uma acção moral pode trazer consigo, mas também aspira a ser merecedor dessa admiração […].»
(Da introdução de Ivone Moreira)